– VIDA ASSOCIATIVA

Tanto a Lei de Bases como a Reforma do Sistema Educativo, definem a escola como um espaço de aprendizagem inserida na sociedade, constituindo-se como uma comunidade educativa o que implica uma participação ativa e efetiva dos Pais. Esta participação tem evoluído ao longo dos últimos vinte anos, mas muito ainda falta fazer:

-Na década de setenta, as Associações de Pais tinham sobretudo um carácter reivindicativo: Era a fase de lutar pelos direitos mais elementares como o direito à existência, enfim, o poder ir à escola;

– O segundo período: Em que se empreendeu uma luta pelo direito a ser ouvido, a participar na vida escolar;

– Atualmente, vive-se o período: De estar na escola, com a escola e para a escola, isto é, os pais/encarregados de educação, são parte integrante da comunidade educativa. Já não se limitam a colaborar na execução de algumas ações, pois agora (deviam participar já?), na conceção, no planeamento e na execução das atividades, (no Conselho de Turma e no Conselho Geral).

Tem-se notado algumas dificuldades que advêm da inexperiência (falta de informação/formação), sobre o papel de intervenção/responsabilização, tanto de alguns dos dirigentes das Associações de Pais, como de alguns docentes das escolas.

Neste caminho os receios, as hesitações e os erros, são de ambas as partes. Como dizia o poeta “é caminhando que se faz caminho”, é num espírito de abertura, de compreensão e de aceitação que todos: professores, pais, alunos, funcionários que se constrói a verdadeira comunidade educativa.

Neste processo de construção e aprendizagem, alguns fatores têm condicionado a participação dos dirigentes das Associações de Pais e dos pais e encarregados de educação que, pela sua importância, devo destacar:

a) A falta de procura da informação/formação e aplicação da mesma, em função das Crianças, dos Jovens e das Famílias, faz com que alguns dirigentes das Associações de Pais, desconheçam os seus direitos e os seus deveres no funcionamento do sistema educativo, nomeadamente das escolas e das obrigações destas ( se não sabem, também não procuram saber para transmitem aos restantes pais);

b) A inexperiência, a rotatividade e o medo de represálias, faz de alguns dirigentes das Associações de Pais, serem ao longo do ano escolar, autênticos angariadores de receitas para colmatar obras de reparação na escola e aquisições de materiais, que por Lei são da responsabilidade do Ministério da Educação ou do Município.

São assim desviadas as atenções ao que se passa no dia a dia nas escolas e da vida das Crianças e dos Jovens, enquanto ali permanecem. Exemplos bem recentes sobre:

– “a qualidade da comida”, que é oferecida aos alunos e que os adultos não a comem;

– As condições higiénicas dos wcs;

– A qualidade da componente de apoio á família(CAF/AAF);

– Os apoios educativos;

– Os resultados individuais dos alunos/turma;

– O pagamento da Caderneta do Aluno, etc.

” Este “poder”, manifesta-se sob duas formas:

-Por excesso, quando os pais se sentem donos da escola e pretendem invadir áreas que são da exclusiva competência e responsabilidade dos docentes;
-Por defeito, quando os pais se sentem retraídos deixando de exercer as suas competências e deixando de exigir o que por Lei lhes devia ser facultado.
No primeiro caso, gera-se um conflito com os docentes e no segundo, uma forte desmotivação dos dirigentes das Associações de Pais, que pode levar mesmo à sua não participação e á extinção da Associação, por falta de pais e encarregados de educação que assumam a sua continuidade;

c) O receio dos docentes, na partilha de um “poder”, que outrora era da sua exclusiva responsabilidade, é na maioria dos casos fruto de uma deficiente aprendizagem e de alguma falta de informação sobre a ação das Associações de Pais;
d) Falta de algumas condições que libertem os Dirigentes das Associações de Pais, para poderem participar mais ativamente nos diversos órgãos da escola, sem terem prejuízos económico-profissionais.

Apesar os Pais, se encontrarem em parceria na gestão das escolas (Conselho de Turma/Conselho Geral), com todos os erros que se possam cometer neste caminho para uma efetiva aprendizagem na gestão da educação das Crianças e Jovens nas escolas, continuo a pensar, que a presença dos pais na vida escolar e na vida das escolas é fundamental para a qualidade educativa, cada um com as suas motivações assim, o Ministério da Educação, os docentes e a sociedade em geral, trabalhem em conjunto com o mesmo objetivo e para o mesmo fim (sem qualquer tipo de represálias!).

A responsabilidade das Famílias:

-A Família é a responsável pela vida dos seus filhos, o seu bem-estar, a sua saúde, a sua educação e o seu futuro. Todos estes quatro elementos formam um sistema muito complexo em que cada um deles não pode ser visto isoladamente mas sim no seu todo;

-A Educação: Ela própria não resulta apenas do que se aprende na escola, mas sim do tratamento que a Criança/Jovem é capaz de dar a toda a informação recebida (na escola, na família e na sociedade), por forma a utilizá-la na sua vida ativa. Neste sentido, a Família tem todo o direito, e o dever de participar na gestão desse espaço (a Escola), que vai dotar os seus filhos das capacidades necessárias para procederem à análise e tratamento da informação recebida habilitando-os a tomar a opção mais acertada para a sua realização pessoal e social.

É neste contexto e neste papel educativo da Escola nesta sociedade da informação, que encaro a participação das Famílias na comunidade escolar.