Síntese Nacional dos Planos de Recuperação das Aprendizagens

Responderam as escola que entenderam (mais de 90%), espero que todas as escolas de “excelência” tenham respondido, no entanto, abstive-me e continuarei a abster-me de participar nestas iniciativas que mais não são do que responder ao óbvio e não ter qualquer resposta por parte do Ministério da Educação quando diga respeito a um aumento de recursos financeiros.

PROPOSTAS PARA ELABORAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO DAS APRENDIZAGENS

Dando resposta à solicitação da Secretaria de Estado Adjunto e da Educação, visando a elaboração de uma síntese com a perceção dos respondentes sobre as medidas de apoio à recuperação das aprendizagens prejudicadas pela pandemia por COVID 19 no país, elaborou-se uma proposta de formulário para recolha de contributos que, não sendo obrigatório nem absolutamente igual em todo o país, pretendia constituir-se como um guia orientador da reflexão, que, com mais ou menos a mesma estrutura, foi distribuído em todas as UO do país, obtendo um nível de respostas superior a 90%.
De referir que se constataram diferentes perceções e diversas realidades relativamente ao impacto do ensino à distância (E@D) nas aprendizagens dos alunos. Numa análise atenta, podemos concluir que as UO têm vindo a desenvolver um trabalho concertado, fundamentado nas especificidades de cada um dos Agrupamentos/Escolas não Agrupadas. Parece evidente que, no exercício da sua autonomia, deve cada UO poder encontrar as respostas que mais se adequam a cada situação, pese embora a necessidade de se considerar o que foi unanimemente referido como relevante.
As aprendizagens mais afetadas e comprometedoras de aprendizagens futuras são, essencialmente, na área das competências transversais do perfil do aluno, sendo estas a base do currículo específico de cada disciplina do 7o ao 12o anos. Conclui-se, claramente, numa evidência quantificada expressivamente, a necessidade de investir, de forma continuada e fundamentada, no cumprimento e operacionalização do disposto nos Documentos Legais em vigor, a saber, Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO), Decretos-Leis n. 54 e 55/2018, Aprendizagens Essenciais (AE) e Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania.

Apresenta-se, em seguida, a síntese dos resultados obtidos.

1. Medidas pedagógico-didáticas:

  • Diminuir o número de alunos por turma;
  • Reformular os critérios de avaliação das e para as aprendizagens: valorizar a avaliação formativa;
  • Incentivar o trabalho colaborativo e interdisciplinar;
  • Incentivar as aprendizagens com suporte em metodologia de projeto;
  • Desenvolver a prática de Assembleias de Alunos;
  • Reforçar a efetivação dos Domínios de Autonomia Curricular (DAC);
  • Efetivar o previsto no processo de Autonomia e Flexibilidade Curricular;
  • Constituir grupos de aprendizagem por ano de escolaridade, variando de acordo com o nível de aprendizagem, ao longo do ano;
  • Reforçar a utilização das ferramentas digitais ao serviço da promoção das aprendizagens;
  • Reformular as planificações, considerando o ciclo de aprendizagem, o PASEO e as AE;
  • Reforçar a transdisciplinaridade no 1o ciclo, eliminando a elaboração de horários por domínios de saber.
  • Valorizar a monodocência como potenciadora da articulação dos diferentes domínios;
  • Reforçar o papel dos recursos dos Centros de Apoio à Aprendizagem como estrutura privilegiada para a recuperação das aprendizagens, assumindo a missão dos Planos de Escola de Recuperação das Aprendizagens;
  • Criar condições para um reforço da atividade física dos alunos em geral e da disciplina de Educação Física em particular, uma vez que é considerado um dos domínios mais afetados pelo ensino à distância;
  • Reforçar o papel do Projeto MAIA enquanto suporte à melhoria das aprendizagens;
  • Acentuar as opções curriculares de natureza interdisciplinar com recurso a atividades de carácter experimental.

2. Medidas Organizacionais:

  • Organizar conselhos de ano, para favorecer a gestão de grupos de aprendizagem por níveis;
  • Promover uma maior articulação horizontal e vertical, para permitir a recuperação e consolidação de aprendizagens nucleares e estruturantes ao longo de todo o ciclo de escolaridade;
  • Disponibilizar maior crédito horário para gestão no âmbito da autonomia de cada Agrupamento/Escola não agrupada: mais crédito horário para diretores de turma, grupos de trabalho, ou outros;
  • Aumentar as parcerias/coadjuvações;
  • Evitar turmas de 1o ciclo com mais do que um ano de escolaridade;
  • Diminuir a carga horária letiva dos alunos;
  • Flexibilizar o modo de organização das turmas, permitindo às escolas encontrar soluções contextualizadas, designadamente na redução do número de alunos por turma ou desdobramento de turmas;
  • Programar tutorias e mentorias, no contexto da escola, com docentes;
  • Criar equipas pedagógicas multidisciplinares que suportem os Planos de Escola de Recuperação das Aprendizagens organizadas por unidade orgânica.

3. Recursos:

  • Assegurar instalações e material atualizado para trabalho laboratorial e trabalho colaborativo pelos alunos;
  • Assegurar recursos digitais eficazes, como plataformas de apoio ao ensino e aprendizagem e outros;
  • Dar continuidade aos planos de desenvolvimento pessoal, social e comunitário para a promoção do sucesso e inclusão educativos, nomeadamente através da afetação de técnicos diferenciados às Escolas e Agrupamentos;
  • Reforçar a qualidade da ligação à Internet das escolas;
  • Afetar recursos informáticos adequados a escolas, alunos e professores, para utilização em contexto de sala de aula;
  • Afetar recursos humanos adequados à manutenção e atualização dos meios informáticos, software e hardware;
  • Criar plataformas de partilha de experiências, projetos e materiais intraescolas e interescolas.

4. Formação:

  • Apostar na formação contínua, sobretudo nas modalidades de oficina e projeto, no âmbito de:
  • Avaliação das e para as aprendizagens;
  • Gestão de conflitos e dinâmicas de grupo;
  • Didáticas específicas;
  • Competências/tecnologias digitais;
  • Metodologia de Projeto;
  • Diferenciação pedagógica;
  • Escola inclusiva/ Desenho Universal de Aprendizagem;
  • Coaching e Mentoria;
  • Gestão do currículo.
  • Incrementar o recurso à formação contínua em regime a distância, nomeadamente com a realização de Webinars de curta de duração;
  • Desenvolver um plano nacional de formação nacional, à semelhança do PNPSE ou do Projeto MAIA, para elaboração dos Planos de Recuperação das Aprendizagens para cada unidade orgânica.

06 de Maio de 2021: Os Representantes dos Diretores de CFAE,

Francisco Simão: Região Alentejo;
Manuel Nora: Região Algarve;
Olga Morouço: Região Centro;
Luís Mendes: Região de Lisboa e Vale do Tejo
João Carlos Sousa: Região Norte

PRA_sintese nacional MAI142021 – arlindovsky  –