ASSOCIAÇÕES DE PAIS: MUITO INTERVENTIVAS NAS ESCOLAS, POUCO ATRATIVAS PARA AS FAMÍLIAS:

Por esta altura, muitos encarregados de educação são aliciados para fazer parte das Associações de Pais das escolas dos filhos.
Alguns assustam-se com o tempo que é necessário e as burocracias envolvidas.
Outros não sabem para que servem estes grupos organizados de encarregados de educação.
O que fazem estes movimentos?
Como podem ser úteis?
E que desafios enfrentam?
-O alerta para a falta de funcionários nas escolas é apenas um exemplo do que pode ser a intervenção de uma Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE).
“estes movimentos são essenciais para o funcionamento das escolas”, já que alertam para questões relacionadas com infraestruturas – “infiltrações,
por exemplo -, funcionários com comportamentos desviantes ou professores que não são assertivos”.
Não sendo essa a sua função, adianta, existem também casos em que “compram material desportivo, intervêm em obras pequenas” e “promovem iniciativas para angariar fundos” para visitas de estudo.

“Estes movimentos são essenciais para o funcionamento das escolas”, diz José Cardoso, presidente da Federação das Associações de Pais do Concelho de Gaia.

-Uma escola com uma Associação de Pais é, para José Cardoso, “uma escola mais feliz”, onde há um diálogo aberto “com o Ministério da Educação, a Câmara Municipal e o agrupamento”.

Esta estrutura, frisa, trabalha sempre para o coletivo: “Já tive que intervir, porque há pais que assumem funções para defender o interesse dos filhos. Não agem de forma coletiva, mas individual”.

São esses casos, lamenta, que “estragam a imagem das AP”. E existem limites para a atuação dos encarregados de educação, que também nem sempre são respeitados: “O trabalho pedagógico é da escola, dos professores”.

As associações de pais alertam para questões relacionadas com infraestruturas – “infiltrações, por exemplo -, funcionários com comportamentos desviantes ou professores que não são assertivos”, diz José Cardoso. Às vezes até compram material desportivo.

É através dos pais, que muitas vezes as direções percebem se a alimentação está como gostariam.

Por outro lado, ajudam na “preparação de atividades que os professores possam propor”.

“As Associações de Pais opinam e têm a porta aberta. Muitas vezes trazem ideias fantásticas, porque têm outra perceção da realidade e falam com os filhos”.

Quando denunciam situações, os pais estão também “a colaborar”.

“Apontar o dedo quando uma situação não está a ser resolvida ou tornar pública uma situação que se arrasta é positivo, desde que isso seja construtivo.

Muitas vezes, os pais resolvem situações que nós, mês após mês, não conseguimos resolver. Dão mais visibilidade aos problemas”, afirma o presidente da ANDAEP.

A dificuldade de atrair pais:

O que é, afinal, uma Associação de Pais e Encarregados de Educação?

“É um conjunto de pais que se junta e legaliza formalmente, com estatutos, com o objetivo de colaborar com a escola e defender os interesses dos filhos. Que acompanha o sistema, a organização, o espaço da escola de forma coletiva”.

“A condição profissional é atualmente muito exigente. Temos de cuidar dos nossos filhos e dos nossos pais. Se sobrar tempo, é pouco. Depois temos famílias que até têm tempo, mas geralmente são as que precisam de apoio psicossocial”.

Por outro lado, o afastamento está também relacionado com o facto de muitas pessoas “não perceberem a importância de se associarem a uma AP”.

“Mesmo que não estejam nos órgãos sociais, isso dá força, maior representatividade.”

Também “a tentativa subliminar do setor político e educativo, que ainda existe, de considerar que os pais perturbam e inquietam”.

“o que afasta [as famílias] é sobretudo a tentativa subliminar do setor político e educativo, que ainda existe, de considerar que os pais perturbam e inquietam”.

Tal como “a burocracia”, que faz com que muitos encarregados de educação “colaborem, mas de forma espontânea”, sem fazer parte do movimento.

Se não entregarem a declaração modelo 22 (para as entidades sem fins lucrativos), por exemplo, têm de pagar multa.

Contudo, ressalva, existe um “ganho imaterial enorme” para quem luta pela melhoria das condições das escolas.

“A intervenção vai desde o mais ínfimo pormenor que, por vezes, passa despercebido à escola, até coisas mais significativas, quando a resposta do Estado não tem a celeridade desejada”.

“Muito do que a escola faz, como atividades lúdicas, medidas de segurança ou contra o bullying, conseguiu-se à custa do esforço do movimento associativo”.

“E ficámos desagradados com o serviço. Sentíamos desconforto, dúvidas. Não era com os professores, mas com as pessoas que tomavam conta das crianças”, recorda. Com a saída dos anteriores órgãos sociais, “juntaram-se pais com vontade de fazer coisas”. Tentaram formar as pessoas que trabalhavam com os filhos, mas “não correu bem”.

Pedimos reuniões e apresentamos soluções”.

Para melhorar o ambiente no refeitório, por exemplo, os pais “disponibilizaram professores da sua equipa para apoiarem e formarem os profissionais que dão apoio às refeições”.

E passaram a organizar festas trimestrais para que os encarregados de educação vissem as competências que os filhos tinham adquirido.

É através dos pais que às vezes as direções ficam a par de problemas com a alimentação nos refeitórios. “Muitas vezes, os pais resolvem situações que nós, mês após mês, não conseguimos resolver. Dão mais visibilidade aos problemas”, diz o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.