Ensino: Escolas premiadas por alertarem alunos para perigos da corrupção:

O trabalho de vários alunos de 17 escolas portuguesas sobre o tema da corrupção foi homenageado pelo programa RedEscolas 21-22. Este é um projeto pioneiro em Portugal, que pretende sensibilizar os jovens para a temática da corrupção e procura encarar o problema como mais do que algo reservado à política.

Cada um destes premiados organizou na sua escola durante o ano letivo que agora termina exposições, concertos e campanhas que encorajaram 1400 alunos a pensar sobre os temas da integridade e da corrupção. No encerramento da 1.ª edição do programa RedEscolas, foram homenageados esses grupos de alunos, representantes de escolas portuguesas nacionais e internacionais, que quiseram tornar a suas escolas em redes de cidadania.

“Esta é uma rede não só em físico, mas também no digital e na criação de materiais que vão auxiliar alunos e professores a estarem bem informados”, explica Ângela Malheiro, diretora da RedEscolas e vice-presidente da All4Integrity. “Apesar de este ano de trabalhos estar a acabar, este projeto mal começou”, assegura.

É um projeto que já está presente em 15 escolas de norte a sul de Portugal Continental, na escola da APEL (Funchal) e na Escola Portuguesa de Macau.

Mas o RedEscolas já tem outras escolas interessadas em participar no próximo ano, nomeadamente a Escola Portuguesa de Moçambique.

“Pretendemos incluir também outras escolas onde há presença de portugueses e que não têm o português como língua materna”, acrescenta Ângela Malheiro.

Na cerimónia de encerramento, que decorreu no Museu de Lisboa e no Padrão dos Descobrimentos esta segunda-feira, foi entregue a cada grupo um saco, contendo um distintivo de homenagem à escola (de prata ou ouro, dependendo da dimensão da ação) e um cartão de embaixador anticorrupção para os alunos e professores que incentivaram as escolas a participarem.

“Foi um trabalho exigente, mas permite perceber o que foi feito e está a ser feito pelos professores na sala de aula e pelos seus magníficos alunos”, explicou o júri.

O problema da corrupção é mais do que político:

O grande objetivo de projetos como o RedEscolas 21-22 é acabar com a ideia de que o combate à corrupção é algo que só pode ser feito por outros, por políticos. “Como é que cada um de nós cuida da nossa cidade?”, pergunta Joana Almeida, vereadora do pelouro da Transparência e Combate à Corrupção da Câmara Municipal de Lisboa.

A vereadora pediu aos jovens que respondessem a esta pergunta, escrevendo notas nos seus telemóveis e pedindo-lhes que guardassem-nas para o fim da apresentação.

No final, partilharam em voz alta as suas ideias.

Joana Almeida reforçou que “somos chamados a ser responsáveis, em conjunto, pela nossa cidade”. Um serviço público construído por todos, nas suas palavras.

Já Carla Castro, vice-presidente da Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, entende que programas como o RedEscolas são essenciais, a prazo, para alterar comportamentos. “Iniciativas, como esta, dão força ao poder local e aproximam os jovens da cidadania ativa.

Termos novas gerações que valorizem isso é muito importante.”

A cerimónia também contou com um momento teatral do núcleo artístico Dobrar, intitulado “O Código de Conduta do Carteirista Profissional”.

Uma performance que satiriza, ao ponto do absurdo, a ideia de um carteirista ter um código de conduta na sua profissão, e ao mesmo tempo expõe como a corrupção tem impacto nas escolhas que fazemos todos os dias.       Guilherme Lopes