Fala-se dos empregos do futuro quando se devia falar da escola do presente!

A pergunta que faço é se os empregos mudam, ou vão mudar, a escola não deveria mudar também?

Toda a gente a olhar para o futuro, quando o futuro de que tanto falamos… já aconteceu! Aconteceu e acontece agora, com os nossos filhos crianças e adolescentes em idade escolar.

Andamos todos preocupados que as máquinas nos vão substituir, que as competências basilares desta ou daquela profissão vão mudar, e tal e tal, mas… e nas escolas? Aí, onde devia começar a mudança não fazemos nada.

Nós deveríamos era de estar preocupados com a escola do presente e não com os empregos do futuro, porque de que serve um emprego de futuro se as nossas crianças estão em salas de aula com 100 anos de vida?

Vejam-se os miúdos. Sim esses mesmo: os nossos de 7, 10, 12, 15, 17 anos… todos diferentes a nível intelectual, todos diferentes a todos os níveis.

Todos iguais no tipo de escola que têm: uma sala, 25 lugares, secretárias duplas, um quadro na parede e em alguns casos, apenas alguns, um projetor no teto.

Vejam-se as metodologias de ensino, vejam-se os materiais científicos, veja-se a digitalização pedagógica… enfim!

Sim, estou a pintar um quadro negro, é verdade! Nalguns casos até talvez injustamente, mas a generalidade em Portugal é esta. É caso para dizer que quando um regime pedagógico, societário e com políticas de ensino e gestão escolar obsoletas entra em decadência, chega um momento em que isso salta aos olhos.

Sabemos que o índice do TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) está a aumentar. Sabemos que a dependência dos ecrãs por parte dos jovens é cada vez maior. Sabemos tantas, tantas coisas novas e… não mudamos nada. Nem no 1.º, nem no 2.º, e no 3.º ciclo então já vamos tarde pelos vistos.

Designer e diretor do IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

Carlos Rosa  Carlos Rosa-15 Dezembro 2021 — 00:19